terça-feira, 23 de abril de 2013

Querida Cecília Meireles

Em seu livro Mar /Absoluto/Retrato Natural

Prelúdio(pag 47)

Que tempo seria,
ó sangue,ó flor,
em que se amaria
de amor!
Pérolas de espuma,
de espumas e sal.
Nunca mais nenhuma
igual.
Era mãe e lua:
minha voz,mar.
Mas a tua...a tua
-luar!
Coroa divina
que a própria luz
nunca mais tão fina
produz.
Que tempo  seria,
ó sangue,ó flor,
em que se amaria
de amor!


Noturno( 89)
Estrela fria
da tua mão.
Tênue cristal,
exígua flor.

Ai! Neva amor.

Lua desertaa
do teu olhar.
Puro,glacial
fogo sem cor!

Imenso inverno
de coração.
Gelo sem fim
a deslizar...

Pus-me a cantar
na solidão.

Teu frio vem
do céu,de mim,
de ti de quem?
Não há mais sol,
verão,calor?

Ai! Neva amor. 

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