Roseana traz uma leitura ligada a sensorialidade presente no mundo.Eu me arrepio com tamanha expressão.
Seu livro tem um nome expressivo:Paredes Vazadas.Vamos conhecer um pouco.
Água de palavras( pag 11)
ás vezes desanimo
e me sinto inútil
portadora de estranha
doença
de que servem esses
poemas
água de palavras
frutos nascidos
de loucas sementes
de que servem
se são menos
que estrelas cadentes
se são volúveis
se são votáveis
se me fogem das mãos
como pássaros de renda
melhor seria esvaziar
as gaiolas com que tenho
apreender o tempo
melhor seria derramar
no mar
as minhas gavetas
tão cheias de fios
de noites cerzidas
melhor seria arrancar
de mim como erva daninha
essa linha que me descostura
e que me faz prisioneira
de miragens
Umbrais(15)
hoje faço um poema
como quem amassa o trigo
deixando o sol entrar
engravidando a massa
hoje faço um poema
como quem se despe
de roupas supérfluas
como quem pusesse os desejos
secando no peitoril da janela
um poema como quem mastiga
o cotidiano
com seus perfumes e tragédias
seus lugares comuns
atravancando os umbrais
Os ventos do absurdo(25)
me encontro aqui
entrelaçando os dedos
mirando seus olhos
de lago cortante
e minha alma se desfia
se congela feito espelho
respiro com medo
de acordar os fantasmas
nesse abismo
onde sopram os ventos do absurdo
tenho a morte tão entrelaçada
entremeada em minha pele
que é como se fosse um afogado
a agarrar-se ao meu pescoço
limpo a garganta
separo entre as vozes
que me habitam
a mais antiga e cristalina
e me visto para a vida
Seu livro tem um nome expressivo:Paredes Vazadas.Vamos conhecer um pouco.
Água de palavras( pag 11)
ás vezes desanimo
e me sinto inútil
portadora de estranha
doença
de que servem esses
poemas
água de palavras
frutos nascidos
de loucas sementes
de que servem
se são menos
que estrelas cadentes
se são volúveis
se são votáveis
se me fogem das mãos
como pássaros de renda
melhor seria esvaziar
as gaiolas com que tenho
apreender o tempo
melhor seria derramar
no mar
as minhas gavetas
tão cheias de fios
de noites cerzidas
melhor seria arrancar
de mim como erva daninha
essa linha que me descostura
e que me faz prisioneira
de miragens
Umbrais(15)
hoje faço um poema
como quem amassa o trigo
deixando o sol entrar
engravidando a massa
hoje faço um poema
como quem se despe
de roupas supérfluas
como quem pusesse os desejos
secando no peitoril da janela
um poema como quem mastiga
o cotidiano
com seus perfumes e tragédias
seus lugares comuns
atravancando os umbrais
Os ventos do absurdo(25)
me encontro aqui
entrelaçando os dedos
mirando seus olhos
de lago cortante
e minha alma se desfia
se congela feito espelho
respiro com medo
de acordar os fantasmas
nesse abismo
onde sopram os ventos do absurdo
tenho a morte tão entrelaçada
entremeada em minha pele
que é como se fosse um afogado
a agarrar-se ao meu pescoço
limpo a garganta
separo entre as vozes
que me habitam
a mais antiga e cristalina
e me visto para a vida
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