sexta-feira, 29 de maio de 2015

RPM

Na segunda metade dos anos 80, conseguiram bater todos os recordes de vendagens da industria fonográfica brasileira. Seus criadores tinham um forte embasamento cultural e musical, o que foi fator determinante no tiro certo para o sucesso.

Tudo começou em 1976, em São Paulo, quando Paulo Ricardo namorava Eloá, que morava em frente à casa onde Luiz Schiavon ensaiava com a May East. O casal resolveu um dia visitar os vizinhos, que estavam num ensaio crucial que decidiam entre cantar em inglês ou português. Paulo Ricardo deu seu voto, opinando pelas letras em português e assim conheceu Luiz Schiavon. Neste dia conversaram muito sobre música. Paulo estava começando sua carreira como crítico musical e Schiavon era um pianista clássico.


Schiavon buscava um novo caminho, mais popular, mas sentiu dificuldade em encontrar alguém. Foi assim que Paulo recebeu o convite para integrar o “Aura”, uma banda de jazz-rock que ainda tinha Paulinho Valenza na bateria. Depois de três anos de ensaios e nenhum show, Luiz encantou-se pela música eletrônica e pela tecnologia de novos sintetizadores, enquanto Paulo decidiu morar na Europa, primeiro na França e depois em Londres, de onde escrevia sobre novidades musicais para a revista Somtrês e se correspondia com freqüência com Schiavon.
Fazia 23 anos que o RPM não gravava um álbum em estúdio. Fazia 23 anos que o RPM não soava tão....RPM. Por mais que o jogo de palavras pareça proposital para uma abertura estilosa sobre o disco Elektra, a afirmação é totalmente verdadeira. Se o RPM criou um estilo dentro do incensado BRock dos anos 1980, com este disco o grupo mostra que criou realmente uma grife.
Você ouve cinco segundos de qualquer das 12 faixas inéditas e mesmo antes da assinatura de voz de Paulo Ricardo, que não deixa qualquer dúvida, você sabe que estão ali Fernando Deluqui (guitarra), P.A. (bateria) e Luiz Schiavon (teclados e programação). Você sabe que o RPM está lá, na íntegra. E na melhor forma. Faça o teste. Ouça o começo de "2 Olhos Verdes", que já é o segundo rock mais tocado nas rádios do país. É o pós-punk da época em que o grupo nasceu, com sonoridade encharcada de Gang of Four, estalando de modernidade e energia. "Penso que a maior influência do RPM é o próprio RPM. 

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